Jacques Derrida

JACQUES DERRIDA
(1930-2004)

Jacques Derrida, um dos filósofos franceses com mais projeção internacional nasceu em 15 de julho de 1930 em El-Biar, na Argélia, e faleceu em um hospital de Paris, vítima de um câncer de pâncreas, aos 74 anos de idade, em 09 de outubro de 2004.

De origem judaica, mas secular, Derrida sofreu com a repressão metropolitana e anti-semita na Argélia, que reduzia as cotas para judeus nas escolas, motivo pelo qual foi expulso da escola que freqüentava. Tal ocorrência de discriminação e exclusão marcou profundamente sua personalidade, sendo que muitas reminiscências desses momentos podem ser detectadas em suas obras.

Em 1949, a família de Derrida transfere-se para a França, onde ele ingressa na École Normale Supérieure (ENS), em 1952, e estuda com os professores Michel Foucault e Louis Althusser que, entre outros, incentivam-lhe o profundo interesse em estudar Kierkegaard e Heidegger. Já apreciava sobremaneira as obras de Jean Jacques Rousseau, Friedrich Nietzsche, André Gide e Albert Cammus.
Este brilhante filósofo francês, autor da teoria da “desconstrução”, que lhe deu fama no mundo todo e, especialmente nos Estados Unidos, foi precursor de uma sólida reflexão crítica sobre a instituição da filosofia e sobre o ensino dessa matéria, com o que foi incentivado a criar, em 1983, o Colégio Internacional de Filosofia, do qual foi presidente até 1985. Sua obra reflete a influência, sobretudo, de Martin Heidegger, Sigmund Freud, Nietzsche, Leviner, Edmund Husserl, e Foucault. Dedicou-se arduamente à análise da obra dos pensadores: Heidegger, Nietzsche, Kierkegaard, Hegel, Kant, Descartes, Aristóteles, Platão, Parmênides. Também dedicou-se ao estudo da psicanálise, através da obra de Sigmund Freud e, na década de 1970, encontrou-se com o psicanalista francês Jacques Lacan. Sua discussão da responsabilidade, da culpa e da gênese da tradição judaico-cristã reflete a influência de Nietzsche. Em 1959, tornou-se professor na escola secundária de Le Mans, proferindo, também, algumas conferências. Completou sua formação na Bélgica com a agrégation, um exame francês que torna o acadêmico funcionário público permanente do ensino. Lecionou na Sorbonne, de 1960 a 1964, ano em que obteve prêmio por sua tradução de A origem da geometria, de Edmund Husserl.

Lecionou na École Normale Supérieure, de 1965 a 1984, tendo desenvolvido as funções de diretor de pesquisas, ao lado de Louis Althusser. Seu artigo principal, Desconstrução, além de lhe valer repercussão internacional, marcou seu trabalho com o referido conceito que, em seu núcleo, de maneira muito simplista, podemos dizer que é uma tentativa de abrir o texto a diversas interpretações. Seu método é geralmente fazer exame de oposições binárias dentro de um texto, o que resulta encontrar novas interpretações mediante meticulosas leituras. Essa prática de leitura levanta a questão do relacionamento entre desconstrução e teoria literária, no entanto, o trabalho de Derrida tem fundamentação muito mais filosófica que literária.
Politicamente comprometido, Derrida tornou-se conhecido, entre outras coisas, por seu apoio aos intelectuais tchecos, por sua atividade contra o apartheid sul-africano e por sua preocupação pela situação do povo palestino. Em 1981, fundou a associação Jan Hus, com a finalidade de auxiliar intelectuais dissidentes da Tchecoslováquia, tendo chegado a ser preso em Praga, após seminário clandestino. Foi libertado graças à intervenção de François Mitterrand.

Tornou-se alvo de controvertida carta de protesto, que lhe atribuía “falta de rigor e clareza”, assinada por 17 professores universitários de filosofia de vários países, posicionando-se contra  atribuição do doutoramento Honoris Causa em Filosofia da Universidade de Cambridge, em 1992, que lhe fora outorgada.

O controvertido pensador visitou o Brasil em três oportunidades: em 1995, em São Paulo, onde participou de eventos na USP e na PUC; em 2001, no Rio de Janeiro, e em 2004, tendo realizado a conferência “O perdão, a verdade, a conciliação: qual gênero?”, na Maison de France, no Rio de Janeiro.

Derrida casou-se com Marguerite Aucounturier, em 1957. Também foi casado e teve um filho com a psicanalista Sylviane Agacinski, posteriormente esposa do ex-primeiro-ministro francês, o socialista Lionel Jospin.
Jacques Derrida é autor de mais de 80 trabalhos, dentre os quais “A escritura e a diferença”, “A disseminação”, “Margens da filosofia”, “Heidegger e a questão”, “Invenções do outro”, “Do direito à filosofia”, “Espectros de Marx”, “Glas”, “A verdade em pintura”, “Para Paul Célan” e “Do espírito”, Derrida lecionou em diversas universidades americanas, sendo as mais famosas Harvard, Yale e John Hopkins. Lecionou, também, na Sorbonne, de Paris, dedicando-se à reflexão filosófica, à carreira universitária e ao registro e publicação de suas idéias,  ao longo de sua vida. Seu trabalho teve grande repercussão na filosofia continental e na teoria literária, sobretudo por sua longa associação com o crítico literário Paul de Homem.

Texto de Joana Maria Rodrigues Di Santo, mestre em Educação, Pedagoga, Psicopedagoga, Professora universitária, com ampla experiência em Educação Básica, Diretora do Centro de Referência Educacional.

Disponível em: http://www.centrorefeducacional.com.br/derrida.htm

Principais obras do autor usadas na pesquisa de Audiovisualidades de TV:

DERRIDA, Jacques. Ecografías de la televisión. Entrevistas filmadas a Bernard Stiegler. Buenos Aires: EUDEBA, 1998.

Conceitos mais usados:

Desconstrução. Espectro/fantasma. Cegueira por situação. Televisão

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